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Português, 17.09.2019 05:00, michaeldouglas963696

Abaixo temos um trecho do livro papalagui, transcrito pelo antropólogo erich shurmann, falando sobre a questão do tempo. o trecho mostra a visão de um índio sobre a cultura europeia. o papalagui gosta do metal redondo e do papel pesado; gosta de meter para dentro da barriga muitos líquidos que saem das frutas mortas, além da carne do porco e da vaca, e de outros animais horríveis; mas ele gosta, principalmente, daquilo que não se pode pegar e que, no entanto, existe: o tempo. fala muito no tempo, diz muita tolice a respeito do tempo. nunca existe mais tempo do que aquele que vai do nascer ao pôr do sol e, no entanto, isto nunca é suficiente para o papalagui. o papalagui nunca está satisfeito com o tempo que tem; e acusa o grande espírito por não lhe ter dado mais. chega a blasfemar contra deus, contra a sua grande sabedoria, dividindo e subdividindo em pedaços cada dia que se levanta de acordo com um plano muito exato. divide o dia tal qual um homem partiria um coco mole com uma faca em pedaços cada vez menores. todos os pedaços têm nome: segundo, minuto, hora. o segundo é menor do que o minuto, este é menor do que a hora; juntos, minutos e segundos formam a hora e são precisos sessenta minutos e uma quantidade maior de segundos para fazer o que se chama hora. é uma coisa complicada que nunca entendi porque me faz mal estar pensando mais do que é necessário em coisas assim pueris. mas o papalagui disso faz uma ciência importante: os homens, as mulheres, até as crianças que mal se têm nas pernas usam na tanga, presa a correntes grossas de metal, ou pendurada no pescoço, ou atada com tiras de couro ao pulso, certa pequena máquina, redonda, na qual lêem o tempo, leitura que não é fácil, que se ensina às crianças, aproximando-lhes do ouvido a máquina para diverti-las. esta máquina, fácil de carregar em dois dedos, parece-se por dentro com as máquinas que existem dentro dos grandes navios, que todos vós conheceis. mas também existem máquinas do tempo grandes e pesadas, que se colocam dentro das cabanas, ou se suspendem bem alto para serem vistas de longe. para indicar que passou uma parte do tempo, há do lado de fora da máquina uns pequenos dedos; ao mesmo tempo, a máquina grita e um espírito bate no ferro que está do lado de dentro. sim, produz-se mesmo muito barulho, um grande estrondo nas cidades europeias quando uma parte do tempo passa. ao escutar este barulho, o papalagui queixa-se: "que tristeza que mais uma hora tenha se passado". o papalagui faz, então, uma cara feia, como um homem que sofre muito; e no entanto logo depois vem outra hora novinha. só consigo entender isso pensando que se trata de doença grave. "o tempo voa! "; "o tempo corre feito um corcel! "; "deem um pouco mais de tempo": são as queixas do branco. digo que deve ser uma espécie de doença porque, supondo que o branco queira fazer alguma coisa, que seu coração queime de desejo, por exemplo, de sair para o sol, ou passear de canoa no rio, ou namorar sua mulher, o que acontece? ele quase sempre estraga boa parte do seu prazer pensando, obstinado: "não tenho tempo de me divertir". o tempo que ele tanto quer está ali, mas ele não consegue vê-lo. (o papalagui - erich scheurmann) lendo o texto podemos afirmar que : escolha uma: a. o texto trata-se de uma ficção que considera as diferenças de costumes entre a etnia indígena e a cultura europeia. b. o texto do antropólogo simula o que diz o índio e suas contribuições possíveis para a cultura europeia. c. o antropólogo que transcreve o texto parte de uma visão etnocêntrica para expressar o que pensa da cultura europeia. d. o antropólogo dá voz ao que pensa o índio, valorizando com essa contribuição um texto que considera a diversidade cultural.

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