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Português, 19.06.2020 17:22, rafaela7745

O PRECONCEITO NOSSO DE CADA DIA Temos apenas opiniões bem definidas sobre as coisas. Preconceito é o outro quem tem... Mas, por falar nisso, já observou o leitor como temos o fácil hábito de generalizar (e prova disso é a generalização acima) sobre tudo e todos? [...] Mas discorremos de maneira especial sobre raças e nacionalidades e, por extensão, sobre atributos inerentes a pessoas nascidas em determinados Estados. Afinal, todos sabemos (sabemos?) que os franceses não tomam banho; os mexicanos são preguiçosos; os suíços, pontuais; os italianos, ruidosos; os judeus, argentários; os árabes, desonestos; os japoneses, trabalhadores, e por aí afora. Sabemos também que cariocas são folgados; baianos, festeiros; nordestinos, miseráveis; mineiros, diplomatas etc. Sabemos ainda que o negro não tem o mesmo potencial que o branco, a não ser em algumas atividades bem-definidas como o esporte, a música, a dança e algumas outras que exigem mais do corpo e menos da inteligência. Quando nos deparamos com um exceção admitimos que alguém possa ser limpo, apesar de francês; trabalhador, apesar de mexicano; discreto, apesar de italiano; honesto, apesar de árabe; desprendido do dinheiro, apesar de judeu; preguiçoso, apesar de japonês e também por aí afora. Mas admitimos com relutância e em caráter totalmente excepcional. O mecanismo funciona mais ou menos assim: estabelecemos uma expectativa de comportamento coletivo (nacional, regional, racial), mesmo sem conhecermos, pessoalmente, muitos ou mesmo nenhum membro do grupo sobre o qual pontificamos. Sabemos (sabemos?) que os mexicanos são preguiçosos porque eles aparecem sempre dormindo embaixo dos seus enormes chapelões enquanto os diligentes americanos cuidam do gado e matam bandidos nos faroestes. Para comprovar que os italianos são ruidosos achamos o bastante frequentar uma cantina no Bixiga. Falamos sobre a inferioridade do negro a partir da observação empírica de sua condição socioeconômica. E achamos que as praias do Rio de Janeiro cheias durante os dias da semana são prova do caráter folgado do cidadão carioca. Não nos detemos em analisar a questão um pouco mais a fundo. Não nos interessa estudar o papel que a escravidão teve na formação histórica de nossos negros. Pouco atentamos para a realidade social do povo mexicano e de como ele aparece estereotipado no cinema hollywoodiano. Nada disso. O importante é reproduzir, de forma acrítica e boçal, os preconceitos que nos são passados por piadinhas, por tradição familiar, pela religião, pela necessidade de compensar nossa real inferioridade individual por uma pretensa superioridade coletiva que assumimos ao carimbar “o outro” com a marca de qualquer inferioridade. Temos pesos, medidas e até um vocabulário diferente para nos referirmos ao “nosso” e ao do “outro”, numa atitude que, mais do que autocondescendência, não passa de preconceito puro. Por exemplo, a nossa é religião, a do outro é seita; nós temos fervor religioso, eles são fanáticos; nós acreditamos em Deus (o nosso sempre em maiúscula), eles são fundamentalistas; nós temos hábitos, eles vícios; nós cometemos excessos compreensíveis, eles são um caso perdido; jogamos muito melhor, o adversário tem é sorte; e, finalmente, não temos preconceito, apenas opinião formada sobre as coisas. Ou deveríamos ser como esses intelectuais que para afirmar qualquer coisa acham necessário estudar e observar atentamente? Observar, estudar e agir respeitando as diferenças é o que se espera de cidadãos que acreditam na democracia e, de fato lutam por um mundo mais justo. De nada adianta praticar nossa indignação moral diante da televisão, protestando contra limpezas raciais e discriminações pelo mundo afora, se não ficarmos atentos ao preconceito nosso de cada dia. Jaime Pinsky – historiador, doutor e livre docente pela USP – Texto originalmente publicado em O Estado de S. Paulo (20/05/1993) e no livro Brasileiro (a) é assim mesmo – Cidadania e Preconceito, 1993, da Editora Contexto. Após a leitura do texto “O preconceito nosso de cada dia”, realize as seguintes atividades. 1. Analise o uso recorrente do pronome “nós” no texto e explique o efeito de sentido que o emprego desse vocábulo provoca no leitor. 2. Transcreva um trecho do texto em que o autor aplicou a ironia. 3. O autor cita vários exemplos populares ao descrever “nossas opiniões” no terceiro parágrafo. A esse respeito, responda: a) Quais afirmações descritas no texto você já ouviu? b) Levante uma hipótese: por que o autor listou tantos exemplos? Um ou dois não seriam suficientes? 4. A partir do quarto parágrafo, há uma mudança no rumo do texto. O que muda? 5. Quais são as características do texto em estudo que permitem classificá-lo como artigo de opinião? 6. Releia a conclusão do autor, no último parágrafo, e posicione-se a respeito, empregando argumentos que sustentem o seu ponto de vista.

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Português, 15.08.2019 01:04, kellysouzacristine
A)o professor vai de mudança para outro país. os alunos amam esse professor.
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Português, 15.08.2019 01:04, thayaraoliversantos
Me ajudem pfv: identifique o sugeito das orações, classifique-os e escreva seu núcleo: a) a flor vermelha secoub)ela trouxe um livro novoc)sou comportadotem mais orações, mas só é presiso estas pra eu indentificar as outras~ {\ _ /} ( * · *)/> ❤< \ ​
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Português, 15.08.2019 00:55, ClayverSantos17
Texto meus oito anos como você explica a concordância, ou a falta de concordância, em "sem nenhum laranjais"? que efeito de sentido essa opção provoca no texto.
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Português, 15.08.2019 00:41, michaeldouglas963696
Isso é uma crônica? teoria da conspiração: um pequeno passo para a verdade pesquisando por curiosidade, a respeito de um acontecimento, me veio a mente escrever a crônica sobre a corrida espacial (viagem à lua) que ficou da seguinte maneira: parando para pensar no acontecimento de 20 de julho de 1969, em cabo canaveral, poderiam ser criadas diversas hipóteses como: o homem já foi mesmo à lua? eis a questão. existem relatos de que tudo foram cenas gravadas em hollywood não passando de farsa e que tudo teria sido gravado em um deserto dos estados unidos. será mesmo? algumas possíveis provas seriam os fatos das pegadas bem definidas, que só seria possível em areia do deserto, bem molhadas, sendo impossível, pois não há água na lua. coincidência não? outro é o fato de deixarem várias coisas para trás, sendo impossível de ver até mesmo do melhor telescópio existente. a explicação mais relevante para isso são as seguintes: sobre a marca das botas (pegadas) foi resultado dos grãos finos que compõe o solo lunar assim como as de solos vulcânicos. você não pensava que a lua era mesmo feita de queijo né? e é impossível ver os restos deixados para trás porque sua distância está fora de alcance de qualquer telescópio existente. mas como dizem, o que os olhos veem o coração não sente. mas então, se foram mesmo à lua, porque não voltar lá? a resposta é simples, durante a guerra fria houve a corrida espacial em que os estados unidos e a união soviética tentaram provar quem é o mais avançado, mesmo não tendo a menor necessidade, mas esse povo só pensa em competição. como os soviéticos já estavam, ganhando sendo os primeiros a enviar um homem ao espaço (iuri gagarin, mais precisamente na orbita da terra), então, os estados unidos não poderiam ficar para trás, criando então uma mentira que enganou todo mundo, sendo o mais provável, ou apenas feito “um pequeno passo"? (achou que eu não tinha senso de humor? ) na minha concepção o homem nunca foi, pois antigamente naqueles foguetes não tinha nem metade da tecnologia presente nos aparelhos em nossos bolsos e eles pensando serem muito sofisticado, mas não importa se o homem foi ou não porque não vai fazer diferença nenhuma, pois, nada poderei fazer como moro em uma cidade de minas gerais chamada coroaci (uma pequena cidade cujo nome significa “de frente para o sol". mas para finalizar, a justificativa de: por que o homem nunca voltou à lua é simples. não há necessidade porque a guerra fria acabou (felizmente), não tem nada para fazer lá (a não ser comer queijo e depois pegar carona no balão azul) e o investimento é muito alto mesmo que sejam podres de ricos. até que uma estação espacial não seria má ideia. então, a escolha é sua, acredite em o que quiser, pois quem sabe você possa mudar o mundo. sempre acredite em seus sonhos e sempre siga em frente, pois algum dia você chega lá não.
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